quarta-feira, 1 de abril de 2009

na roda dos que gritavam

Da roda dos que gritavam, grasnando súbitos sentidos sem sabor, ela pouco entendia, pensava que o sol batendo forte demais segurava suas costas no asfalto, era muito claro o dia de trabalho daquela quarta-feira, dia de gente amontoada cheirando a excesso. Beirava o vão do desespero a todo momento que lhe sorriam com malicia, a cada dente torto e podre, o sorriso da paixão comum que se vê em lábios grotescos mil.
Passamos um por dentro doutro sem saber, sem sal, lambemos os ombros e a roupas rotas, cuspindo e sangrando a ferida normal, feita sob medida pra todo um.
Medindo uns aos outros façamos fortes as crenças em Deuspaividaalémdamorte, e em tantas formas de manifestação humana, para assim enxergarmos o "real".
E no fim toda visão é periférica de dentro e parte da roda, toda visão também se faz limitada, margeada de conceitos e culturas sintonizadas, costuradas uns nos outros nos fazendo massa.
vomitando volumes agora.

Um comentário:

Osório d'Andrade disse...

E a roda viva trás tudo de volta, mas dessa vez, mais vivo.
sem idealizações da saudade...

escreva mais, a mi me gusta ;)

beijos